Não há purpurina que esconda o abuso contra as mulheres

Uma das datas mais festivas e libertárias de nosso calendário tem um “lado B” nada feliz. Por trás de pessoas unidas cantando samba enredo, fantasiadas no bloquinho ou seguindo o trio elétrico, há violência de gênero e agressão contra a mulher.

É alarmante: a cada quatro minutos uma mulher foi vitimada no Rio de Janeiro, de acordo com números da Polícia Militar do Carnaval deste ano. Das 8h da manhã de sexta-feira (24) às 8h da manhã de quarta-feira (01) foram registradas 15.943 mil ocorrências. Dessas, 2.154 diziam respeito a abusos contra as mulheres. Nenhum outro fato ocupou tanto as forças de segurança: nem roubos ou perturbação da ordem. A grande mazela do Carnaval teve o gênero feminino como alvo.

É importante quebrarmos esse ciclo vicioso com urgência. É preciso agir, mas não somente junto aos agressores adultos – por meio da punição, sensibilização e ressocialização. Precisamos educar nossos meninos para que compreendam e assimilem a via do respeito e do convívio igualitário. Eles devem entender que agressão e dominação não são as únicas respostas. Esse trabalho é necessário para tirarmos o Brasil do vexatório 5º lugar no ranking dos países com mais alta taxa de feminicídio no mundo, de acordo com o “Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil”, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

Aproveite a esse 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher, e reflita sobre qual sociedade você deseja para si e para as gerações futuras. Como você pode contribuir?