Somos mais da metade da população e do eleitorado nacional, cerca de 52%, mesmo assim, ainda temos um grande desafio para superar: nos consolidarmos na vida política de nosso país. Na Câmara dos Deputados, apenas 10% das cadeiras parlamentares são ocupadas por mulheres, 16% do Senado e 5% da Câmara Municipal de São Paulo.

Segundo dados da ONU Mulheres e da União Interparlamentar, entre 188 nações, o Brasil está na 158ª posição no ranking de mulheres nos parlamentos do mundo. Isso significa que estamos abaixo da média mundial. Ficamos atrás até mesmo de nações conhecidas por negarem os direitos básicos às mulheres, como o Paquistão, o Afeganistão, a Síria, entre outros. Dentre nossos países vizinhos, a Argentina alcança 36%, já na Bolívia, 53%.

É importante refletir o quanto as ações afirmativas influem na representatividade das mulheres no espaço político. Quais são as questões sociais que permeiam esse espaço? Será que realmente as mulheres não querem ocupá-los? Quais fatores são desestimulantes?

Infelizmente, não há muito apoio de diversos partidos políticos, que na maioria das vezes lançam as candidaturas de mulheres para apenas cumprirem o coeficiente mínimo da legislação. Atrelado a esse desincentivo, há uma construção social de que os espaços públicos, principalmente os de poder, são por tradição dos homens, junto com o estereótipo da mulher de ser menos pragmática e racional e, portanto, desqualificada para exercer esses cargos.

Isso é um absurdo! Precisamos de mais representação para mudarmos essa realidade. Se transformado em ações concretas, o empoderamento feminino pode mudar o lugar das brasileiras na sociedade. Ter mais mulheres na política, além de promover a igualdade de gênero em todas as atividades sociais e econômicas, pode garantir o fortalecimento da economia, o fomento dos negócios e aumentar os níveis de desenvolvimento humano, não só delas, como também dos homens e das crianças.

Em uma sociedade democrática, é importante a presença de diversos atores na política, para que os parlamentos representem, de verdade, toda a população, diversificando as narrativas e influenciando na maneira de se fazer política e nas legislações e políticas públicas. Nossa participação é fundamental para estimularmos melhorias para todos e a notícia boa é que há muitas mulheres preparadas para esse exercício. Por isso, pesquisem, busquem informações, leiam e se interessem mais: a participação política de todos é um caminho legitimo de transformação.