Evento reúne educadores e profissionais de saúde para discutir gravidez precoce

Um encontro apoiado pela vereadora Aline Cardoso (PSDB) reuniu educadores e profissionais de saúde pública na Fábrica de Cultura da Brasilândia para discutir gravidez precoce

Cerca de cem professores e diretores de escolas públicas, das redes estadual e municipal, participaram ontem (20) do encontro Prevenção à Gravidez Precoce – Uma Abordagem para Educadores.  O evento, apoiado pela vereadora Aline Cardoso (PSDB), reuniu profissionais de saúde e de educação para dialogarem sobre o problema da gestação precoce, que tem índices ainda alarmantes na capital paulista e principalmente na Zona Norte de São Paulo.

Os educadores presentes receberam informações sobre os métodos contraceptivos disponíveis nos hospitais e UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e puderam conhecer algumas técnicas de abordagem utilizadas por agentes de saúde para quebrar a barreira com os adolescentes.

“Muitas vezes o jovem não procura a UBS ou o agente de saúde do bairro, porque tem medo de que as pessoas fiquem sabendo. Não confiam que serão respeitados e acolhidos”, explicou Marislane Oliveira, psicóloga que organizou o grupo Papo Reto, na UBS Vila Espanhola. Ela conta que as conversas periódicas ajudam na criação de vínculos. “Eles se sentem mais próximos e tranquilos para perguntar e tirar suas duvidas”, disse.

Para a doutora Cristina Rama, responsável pelo tema Saúde da Mulher na Coordenadoria Regional de Saúde Norte, esse diálogo é fundamental para que continuem caindo os índices de gravidez em menores de 19 anos. Segundo dados do boletim CEInfo, de junho de 2016, o número de partos em mulheres com menos de 19 anos caiu de 14,7% em 2004, para 12,8% em 2015. “Ainda assim, é triste ver que em 2015 (segundo o boletim), tivemos 761 partos na cidade em meninas de 10 a 14 anos”, lamentou Cristina. Ela destacou ainda que, quando se tornam mães, as jovens tendem a largar a escola. “Entre as meninas de 10 a 17 anos sem filhos, apenas 6% deixam de frequentar a escola. Quando consideradas as meninas dessa faixa etária com filhos, esse número salta para 87%. É determinante no futuro dessas jovens”, comentou.

A situação poderia ser evitada se as adolescentes conhecessem e utilizassem de forma constante os métodos contraceptivos. A doutora Ana Marta Monteiro de Souza, coordenadora do ambulatório do Hospital Geral da Vila Nova Cachoeirinha, cuja maternidade é referência na região Norte, explicou que alguns desses métodos são disponibilizados gratuitamente na unidade. “Temos o DIU (método reversivo de longa duração), o implante subdérmico, os preservativos e até a contracepção emergencial, conhecida como pílula do dia seguinte”, disse.

No ponto alto do evento, os educadores assistiram à uma peça de teatro, encenada por agentes comunitários da UBS Vila Terezinha. Em linguagem acessível e com gírias e termos do vocabulário da juventude, eles representaram a situação de uma adolescente de16 anos que descobre estar grávida. Ao final da peça, todos se perguntam “e agora?”. “A ideia é fazer com que os jovens reflitam sobre o impacto que uma gravidez terá em suas vidas”, explicou Ana Paula, líder do projeto na UBS. Ela contou que apresentam a peça em escolas do bairro e que isso estimula os alunos a procurarem a Unidade em busca de informações e ajuda.

A troca ao longo do evento foi, para a vereadora Aline Cardoso, muito rica. “A prevenção à gravidez precoce é um tema base na construção de uma sociedade melhor. A jovem que engravida precocemente diminui muitos suas chances de ascensão social e profissional. É papel nosso, enquanto educadores, agentes de saúde e vereadora, trabalharmos arduamente para reverter esse quadro”, disse. Ela concluiu pedindo que esse seja um trabalho contínuo. “Esse foi só um pontapé inicial em um programa que precisa ser permanente”, encerrou.