A primeira edição do Prêmio Viva, organizado pela Revista Marie Claire e Instituto Avon, homenageou na noite desta quinta-feira, 22 de novembro, no Palácio Tangará, zona sul da cidade, o trabalho de diversas pessoas que estão engajadas no enfrentamento da violência contra a mulher. Na categoria Autonomia Econômica e Empreendedorismo, a vencedora foi a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Aline Cardoso, pela criação do Programa Tem Saída desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo em parceria com o Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, OAB-SP e ONU Mulheres.

O Programa Tem Saída foi lançado em agosto deste ano e já empregou 14 mulheres em empresas parceiras da ação. Foram emitidos 239 ofícios pelo sistema judiciário com encaminhamento de mulheres vítimas de violência doméstica ao CATe, para que participem de processos seletivos.

A secretária Aline Cardoso recebeu a premiação ao lado de Camila Zarzur, filha da promotora de justiça do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid), em São Paulo, Gabriela Manssur, uma das idealizadoras do Programa Tem Saída. “É um reconhecimento de um trabalho conjunto entre várias entidades que estão comprometidas em oferecer uma alternativa para as mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Sobretudo, sem as empresas que estão ofertando as vagas de emprego, não conseguiríamos avançar. É um desafio colocar mulheres vítimas de violência doméstica no mercado de trabalho pela fragilidade emocional e pela autoestima abalada, mas estamos motivadas para continuar, pois um trabalho com este perfil é disruptivo dentro da área pública e conta com o apoio do prefeito Bruno Covas”, salienta Aline Cardoso.

O Programa Tem Saída concorreu com outros dois projetos, o da administradora de empresas, Lilian Prado, responsável pela Organização Acreditar, em Pernambuco, que dá suporte a 400 negócios, por meio do Programa de Microcrédito As Marias, e Ilana Trombka, diretora geral do Senado Federal, criadora do Programa Emprega Mulheres em Situação de Vulnerabilidade Econômica, que reserva 2% das vagas de trabalho terceirizado no Senado para mulheres vitimas de violência.

O Prêmio Viva contou com sete categorias e 21 finalistas. Os escolhidos foram selecionados pelo voto popular online, somado ao voto de um júri de especialistas, que escolheu os sete vencedores.

A noite ainda reverenciou a farmacêutica Maria da Penha com o Prêmio Viva de Honra ao Mérito. Há 12 anos foi sancionada a lei federal 11.340/2006, que leva seu nome. A homenageada relembrou a luta pela condenação de seu agressor, que a deixou paraplégica. “Gostaria de lembrar que há 35 anos iniciei minha vida de cadeirante e tive que unir forças para criar minhas filhas que eram crianças na época. Ainda constato que o Estado não tem conhecimento das vítimas invisíveis da violência doméstica, que são os filhos das mulheres assassinadas. Nosso instituto está elaborando uma pesquisa com a Universidade Federal do Ceará que já aponta nos dados preliminares que, pelo menos três crianças de cada vítima, ficam órfãs e, muitas vezes, sob a guarda do agressor que matou a mãe delas”, relatou.

Lista dos vencedores:

Saúde
Melania Amorim

Sociedade Civil
Sonia Nascimento

Revendedoras
Josefa de Oliveira Silva

Segurança
Lucia Helena Salgueiro

Justiça
Patrícia de Amorim Rêgo

Autonomia Econômica e Empreendedorismo
Aline Cardoso junto com Gabriela Mansur

Eles por Elas
Elisandro Lotin de Souza