O futuro do emprego foi o tema do seminário promovido pela Folha de S. Paulo em parceria com o Senai, que contou com a participação da secretária de Desenvolvimento Econômico, Aline Cardoso, nesta sexta-feira, 30 de novembro, no auditório do Instituo Tomie Ohtake.

No painel sobre alternativas para o desemprego e mão de obra subutilizada, a secretária destacou que o futuro não está relacionado exclusivamente ao emprego formal, mas a oportunidades de novas formas de trabalho.

Para a secretária, a evolução dos postos de trabalho nos próximos 30 anos não está atrelada apenas à tecnologia, mas também às questões regulatórias, sociais, demográficas e culturais, gerando oportunidade em áreas como cuidados humanos, saúde, turismo e alimentação. “O robô fará o trabalho que muitas pessoas fazem hoje, mas existem profissões que serão potencializadas ou criadas e esses setores tendem a crescer fortemente”, disse.

Segundo Aline Cardoso, a qualificação profissional será fundamental para as diferentesáreas de atuação da sociedade, mas essa qualificação não passa exclusivamente pelas universidades, mas também por cursos técnicos, especializações, oficinas e treinamento de habilidades socioemocionais. “Estamos desenvolvendo, por exemplo, projetos de qualificação para ocupações que serão fundamentais no futuro, ligadas a tecnologia, saúde, gastronomia e cuidados humanos”, explica.

A ex-presidente do IBGE e professora da PUC- Rio, destacou que a desocupação e o subemprego atinge um contingente de pessoas no Brasil maior do que países inteiros. “São cerca de 27 milhões de pessoas nessa situação, o que mostra que precisamos não só de crescimento, mas de qualificação para absorver essa população”, disse.

“Com crescimento econômico teremos a substituição massiva de mão de obra não qualificada”, afirmou o presidente da People Strategy, João Roncati.

Para o professor da FEA-USP, Paulo Feldmann, é necessário realizar um plano de longo prazo para o país definindo os setores prioritários, as profissões e as qualificações do futuro. “Vai ser mais difícil para o Brasil resolver a questão do trabalho agora do que foi no passado”, disse.

A abertura do seminário foi realizada pelo presidente da Elsevier e diretor de assuntos corporativos da Relx Group, o sul-coreano Youngsuk Chi, que destacou a necessidade do país ter um crescimento sustentável para promover o desenvolvimento econômico.

Segundo Chi, a nova geração deve focar na suas paixões e coletar qualificações durante a vida para ser profissionais de sucesso.

O seminário contou ainda com outros três painéis: o mundo do trabalho nos próximos 30 anos; desafios do emprego no Brasil com a indústria 4.0 e; o futuro do empreendedorismo no Brasil.